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Folha de Pernambuco - PE 02/06/2010 - 10:57 |
Bienal divulga lista completa de artistas
Maior evento de arte do País teve a relação inteira de artistas divulgada ontem
Isabelle Barros
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Política como forma de contato com o outro, não apenas por meio de instituições, mas como uma forma de repensar a realidade em um mundo cheio de conflitos.
É a impossibilidade de separar arte e política que a 29ª Bienal de São Paulo reivindica como tema para esta edição, que teve a relação completa de artistas divulgada ontem. São os 148 nomes confirmados que vão materializar esses conceitos, propostos pelos curadores-chefe Agnaldo Mesquita e o pernambucano Moacir dos Anjos.
Em coletiva de imprensa transmitida pela internet, ambos explicaram as ideias que nortearam a concepção do evento de artes plásticas mais importante do Brasil, que começa em 21 de setembro e vai até 12 de dezembro. O mote é “Há sempre um copo de mar para um homem navegar”, verso do poeta alagoano Jorge de Lima.
Para ajudar no trabalho capitaneado por Farias e Moacir, também foram escolhidos mais cinco co-curadores: Chus Martinez (Espanha), Fernando Alvim (Angola), Rina Carvajal (Venezuela / Estados Unidos), Sarat Maharaj (África do Sul / Reino Unido) e Yuko Hasegawa (Japão).
De Pernambuco, os selecionados foram Jonathas de Andrade, Marcelo Silveira, Gil Vicente e Paulo Bruscky, que já havia ganho sala especial na Bienal de 2004. Fora o primeiro - que tem menos de 30 anos e tem uma obra relativamente recente no circuito de arte - todos eles já têm carreira consolidada, embora também seja a primeira bienal de Silveira.
O contato entre as artes visuais e outros suportes foi outro ponto levantado por ambos - frisando aqui a presença de nomes conhecidos no circuito alternativo, como Chantal Akerman e principalmente do tailandês Apichatpong Weerasethakul, vencedor da Palma de Ouro em Cannes.
A organização espacial da Bienal, desta vez, vai ser dividida em seis “terreiros”, seis espaços de encontro que funcionarão como subtemas do eixo principal: arte e política.
Neles, os suportes vão se misturar e se combinar: como exemplo, Zé Celso Martinez Corrêa, criador do grupo de teatro Oficina, irá criar uma performance a ser encenada no terreiro “Outro ou Mim Mesmo”, voltado para esse fim. A programação será mutável, com eventos e palestras que mudariam com o passar do tempo.
A coletiva serviu para iluminar outro ponto obscuro da Bienal: a inclusão na programação oficial do “Pixação SP” grupo que pichou as paredes do Pavilhão do Ibirapuera e causou polêmica, com a prisão de uma de suas integrantes. “Não sabemos se é arte ou não, mas achamos que essa questão é secundária. Pensamos em trazê-los como documentação visual do que é feito fora do espaço da galeria, do espaço institucional. convidá-los é uma medida necessária para que pudéssemos conversar”, argumentou Farias.
Apesar de todo o esforço em aparentar normalidade, é impossível não notar que, para um evento de tão grande porte focado em estimular uma nova visão da política, ainda sejam tão fortes os ecos da crise política - no sentido mais conhecido do termo - pela qual passou a Fundação Bienal, produtora do evento.
Essa edição, portanto, teria a missão de reposicioná-la como ponta-de-lança do pensamento da arte hoje. “Contemporâneas são as obras que ajudam a entender o mundo agora. Por isso, os trabalhos escolhidos não são apenas recentes. Flavio de Carvalho (1899-1973), por exemplo, ainda tem uma produção indefinível”. |