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Diário da Manhã - GO 28/04/2006 - 09:42 |
A Vocação de William, por José Luiz Bittencourt
"Lexicógrafo de vocação, dedicou-se William Agel de Mello a escrever nada menos que 22 dicionários bilíngües de todas as línguas neolatinas, inclusive o primeiro dicionário catalão/português"
Da Redação
Diplomata, escritor de primoroso estilo, poliglota, brasileiro goiano nascido na cidade de Catalão, dicionarista de muitos títulos e vários idiomas, inclusive de quase todas as línguas românicas, William Agel de Mello está iniciando agora a publicação de suas obras completas. São 11 dicionários, 12 traduções dos poemas de Garcia Lorca, 4 ensaios político-sociais e lingüísticos, além de volumes contendo romances e contos, um dos quais, Estórias da Terra, foi julgado pela Academia Brasileira de Letras e premiado em concurso literário promovido pela Caixa Econômica Federal.
Tendo servido em diversas Embaixadas do Brasil no exterior, sempre no exercício de funções diplomáticas delegadas pelo nosso governador através do Itamaraty, William Agel de Mello é também autor de um Dicionário Falante Ilustrado e de um estudo geopolítico da Antártica, com ênfase para o seu aspecto físico e a conquista do respectivo território. De sua biografia consta a notícia de que é um dos maiores africanólogos brasileiros, pois analisou o modelo de socialismo da Tanzânia, o processo da independência da Nambia, a dissolução do apartheid, as transformações conseqüentes na África Austral e alguns outros ensaios de capital importância para a política internacional.
Lexicógrafo de vocação, dedicou-se William Agel de Mello a escrever nada menos que 22 dicionários bilíngües de todas as línguas neolatinas, inclusive o primeiro dicionário catalão/português. De certo modo, dada a sua amplitude, essa é considerada a maior obra lexicográfica do mundo, sobretudo aceita por ser pioneira na lexicografia românica. Alguns desses dicionários, convém ressaltar, constituem os únicos bilíngües existentes no campo da lexicografia em nível mundial: sardo/português/sardo, galego/português/galego, reto-românico/português/reto-românico, provençal/português/provençal. São dicionários de obrigatória consulta, não apenas no universo diplomático, mas também por todos quantos desejam aprender a falar e escrever nesses idiomas.
Louvado ainda é William Agel de Mello pela sua tese sobre lingüística, intitulada O Idioma Panlatino e outros Ensaios Lingüísticos, um ensaio que sugere “uma nova linguagem universal, ou uma reconstrução da Torre de Babel, cuja idéia básica destina-se a formar uma superlíngua para cada família de línguas”. Todos sabemos que o latim deu origem a dez línguas neolatinas e as línguas neolatinas, em seu processo evolutivo normal, dão origem à língua síntese, o panlatino. Uma tese sui generis que despertou e continua despertando a melhor atenção dos estudiosos tanto aqui no Brasil quanto em países do Velho Mundo e das Américas.
Tendo privado da estima pessoal de Guimarães Rosa e seu secretário quando este trabalhava no Itamaraty, foi elogiado pelo autor de Sagarana, que o considerou “criador da neolíngua e seu destino é vir a ser um grandíssimo escritor”. E não foi sem razão que Ático Vilas Boas de Mota deu-lhe o título de “alquimista da palavra”, dados os seus recursos estilísticos, o uso de uma particular técnica de composição e da valorização gramatical, assim como de uma arquitetura frásica capaz de construir os melhores efeitos do sistema da língua. Bem verdade é a apreciação crítica que se faz sobre o que tem escrito esse goiano brasileiro de Catalão, cidade cujo nome “não se sabe nem se soube, do Catalão de Catalunha, sítio era ali chamado, aquele do hespanhol Catalão por alcunha. Foi lá que o Anhanguera plantou roça, abriu o porto velho e fincou o primeiro ponto da bandeira depois de transpor o Paranaíba”. |