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InterCidadania - PE 05/04/2010 - 10:27 |
Culturas irmãs
Nascida no Algarve, a escritora aponta semelhanças entre brasileiros e portugueses e lembra: "Arte não se explica"
Carlos Marcelo
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| Monique Renne/CB/D.A Press |
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"Em literatura, um 'eu' tem sempre um 'nós', garante Lídia Jorge. Ainda mais quando nós, brasileiros, temos a chance de receber visitantes estrangeiros que escrevem de forma bem familiar aos nossos olhos.
Caso de Lídia, nascida no Algarve, em 1946, leitora adolescente de Jorge Amado e admiradora do "terramoto" de Clarice Lispector. A escritora portuguesa publicou o primeiro romance em 1980. A costa dos murmúrios reflete a experiência de Lídia Jorge em território africano - ela morou em Angola e Moçambique. Seu livro mais recente a ser publicado no Brasil é o oitavo romance, O vento assobiando nas gruas (Record, 496 páginas, R$ 59,90), reconhecido em 2003 com o Grande Prêmio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. Como cenário, a aldeia fictícia de Valmares, já mostrada em romances anteriores de Lídia. Ela também ganhou o Prêmio Albatros, da Fundação Günter Grass, pelo conjunto da obra. Publicou ano passado em seu país um livro ensaístico, Contrato sentimental, organizado em 10 capítulos e iniciado com frase contundente: "Muitos são aqueles que apresentam razões fortes para duvidar, mas eu tenho a certeza de que Portugal existe". Lídia Jorge participou em Brasília da programação literária da Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, promovida pelo Itamaraty. |