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Diario de Pernambuco - PE 13/04/2010 - 11:53 |
Longe do casulo nostálgico
Exposição - Guilherme Secchin abandona tons amarelados para dar vida à própria pintura, a partir de cores vibrantes
Thiago Corrêa
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A passagem do tempo é objeto de análise de duas exposições que serão inauguradas hoje, às 19h, no Centro Cultural dos Correios (Bairro do Recife). Se a mostra Fragmentos do escultor Paulo Régis busca uma reflexão mais abrangente, observando a capacidade da História em recontextualizar certos objetos (no caso os fósseis); a exposição De perto, de longe, do pintor carioca Guilherme Secchin, mergulha num campo mais intimista, de autorreflexão sobre o momento entre o esgotamento do seu próprio trabalho e a necessidade de renovação.
Ou como o próprio artista explica, o seu impulso como "urgência de se contemporanizar". Isso porque essa sua primeira exposição no Recife aponta para uma nova fase de sua carreira, após quase quinze anos investigando a estética de documentos históricos, mapas antigos e reproduções de paisagens do passado. Preso a uma paleta de cores reduzida, com tons amarelados, Secchin diz que sentiu necessidade de sair do casulo nostálgico e retomar a vivacidade na sua pintura.
"Essa vontade de voltar às cores veio como uma explosão", define o pintor, na tentativa de traduzir a energia da exposição. Uma força que aparece no vigor das cores (vermelho, branco, verde e azul), combinadas numa espécie de fôlego lisérgico, e nos desenhos que trazem aproximações estéticas com o design e a grafitagem. O desejo por novos caminhos, no entanto, aparece como uma transição, trazendo abertura de janelas para o passado.
"Antes eu trabalhava com muitas superposições, agora são planos diferentes. Ao mesmo tempo em que aparece espaço para dialogar com meus trabalhos anteriores, também tem a vibração das cores", aponta Secchin. Nas vinte telas que compõem a mostra é possível encontrar resquícios da fase nostálgica do artista em meio à profusão colorida de flores, imagens de órgãos humanos, bolas de sinuca, elementos cartográficos e esqueletos humanos.
Os ossos, que servem como pontos de ligação da primeira série da exposição, Somos todos iguais, ganham outro sentido nas pinturas."Para mim não tem caráter mórbido, vejo mais o esqueleto como estrutura", observa o pintor. Além de desenhos, Secchin também se utiliza de colagens para proporcionar o diálogo com o passado, inserindo bilhetes de viagem, rótulos de bebidas e gravuras de livros de alquimia. A mostra ainda traz dois vídeos em que o autor explica seu processo criativo.
Fragmentos - No segundo andar do Centro Cultural dos Correios, o pernambucano Paulo Régis exibe, também a partir de hoje, uma série de 17 esculturas em pedra calcária em suporte de madeira. O título Fragmentos remete aos pedaços de passado histórico representados por fósseis, que são esculpidos a partir da imaginação de Régis. "Os fósseis são fragmentos no tempo, mas o pessoal nem se importa mais com o valor histórico, vai logo colocando na parede", analisa.
Serviço
De perto, de longe e Fragmentos, de Guilherme Secchin e Fragmentos, de Paulo Régis
Onde: Centro Cultural dos Correios (Av. Marquês de Olinda, 262, Recife Antigo)
Visitação: 9h às 18h (de terça-feira a quinta-feira), 12h às 18h (sábados e domingos)
Informações: 3224-5739 |